Aluno de doutorado pelo programa MD-PhD do CISM, jovem pesquisador de 25 anos sonha em unir pesquisa e tecnologia para gerar impacto real na vida das pessoas
Ainda criança, Jônatas já se imaginava em um laboratório, com um jaleco branco e fazendo descobertas que mudariam o mundo! Quando cresceu mais um pouco, descobriu que o trabalho de um cientista é mais complexo e desafiador do que pensava, fato que funcionou como combustível para os ideais de construir uma carreira unindo ciência, tecnologia e impacto social.
Aos 25 anos, Jônatas Magalhães Santos é um dos talentos em formação pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM). Com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cursa doutorado pelo programa MD-PhD* na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Conheça agora a história do jovem pesquisador que, inspirado pelos professores e pesquisadores que conheceu ainda durante a Iniciação Científica (IC) no CISM, sonha em contribuir para uma prática médica tecnologicamente inovadora e socialmente impactante.
_____________
*O programa MD-PhD combina o curso de Medicina (MD) com o doutorado (PhD).
_____________
> Aproveite para conferir um vídeo exclusivo de Jônatas no Instagram do CISM – clique AQUI
> Acompanhe o CISM nas redes sociais para não perder as próximas histórias da série!

Jônatas, ainda bebê, com seus pais (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Jônatas, pode contar um pouco sobre quem é você?
Jônatas Magalhães: Meu nome é Jônatas, tenho 25 anos, e sou aluno do programa de Md-PhD da Faculdade de Medicina da USP e bolsista do CISM. Nasci em Salvador, na Bahia.
– CISM: Como foi a sua trajetória escolar antes de ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)?
Jônatas Magalhães: Estudei o Ensino Fundamental e Médio em uma escola pública federal, em Salvador.
– CISM: O que te motivou a escolher o curso de Medicina? Como foi o processo de dedicação até a entrada na FMUSP?
JM: Desde muito jovem, eu queria ser “cientista”, mesmo não sabendo exatamente o que um cientista fazia. Eu tinha aquela visão idealizada de uma pessoa inteligente vestindo um jaleco branco, trabalhando em um laboratório, descobrindo “coisas” novas. Eu estudei para o vestibular durante o Ensino Médio, em Salvador e o fato de eu ter participado e sido premiado em olimpíadas científicas ao longo da minha trajetória, abriram portas para mim, e eu recebi bolsas de cursinhos pré-vestibulares. Ao final do meu Ensino Médio, fui aprovado em medicina na USP e me mudei para São Paulo aos 18 anos atrás do sonho.

O jovem ganhou inúmeras medalhas em olimpíadas científicas no Ensino Médio (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Pode falar um pouco sobre o seu contexto familiar? Seus pais também atuam na área? De que forma eles te inspiraram a seguir nos estudos?
JM: Não, meus pais não são médicos e nem da área da saúde, mas sempre incentivaram e alimentaram o meu desejo de ser cientista. Acima de tudo, meus pais e toda a minha família me inspiram como seres humanos.
– CISM: Em que momento o interesse pela pesquisa científica em saúde mental surgiu em seu caminho? Ao optar por Medicina, já pensava em dedicar carreira à ciência?
JM: Meu interesse pela ciência começou quando eu era muito jovem. Mas eu tinha aquela visão idealizada, à medida que eu fui amadurecendo, fui vendo que o trabalho de um cientista era um pouco mais complexo. Na verdade, isso me aproximou muito mais do que me afastou dessa carreira. A minha decisão de fazer medicina foi muito pautada nessa vontade de seguir a carreira científica e a medicina era um lugar em que eu poderia seguir essa possibilidade, mas eu não esperava que eu fosse seguir na área de saúde mental. Eu sempre gostei de neurociência, mas eu não sabia que saúde mental e psiquiatria era o que eu gostava. Entrei na faculdade pensando que eu iria seguir a área de neurologia, algo mais relacionado a doenças funcionais. E aí, à medida que eu fui me envolvendo em projetos de pesquisa, em neurologia e neuropsiquiatria, fui me descobrindo na psiquiatria e descobrindo que, na verdade, o que eu gostava mesmo da neurociência era a psiquiatria.
– CISM: Quem foram/são suas maiores inspirações para o ingresso no mundo da ciência em saúde mental? Como e por que essas pessoas te inspiram?
JM: Ao longo desse processo de amadurecimento e de descobrimento na carreira científica, uma série de pessoas me inspiraram positivamente. Obviamente o Euri*, que é o meu orientador, me inspira o tempo todo, diariamente, não só como pesquisador e como uma pessoa que consegue inovar no campo dele, mas também como um ser humano que consegue misturar as habilidades sociais com a pesquisa e, com isso, promover mudanças e impactos reais na saúde pública. Outras pessoas que me inspiraram ao longo dessa trajetória foram orientadores, o André Brunoni, como pesquisador fantástico, e, hoje, o Arthur Caye, que trabalha diretamente comigo, outro pesquisador fantástico. Mas, de maneira geral, pessoas que conseguiam juntar o rigor técnico-científico do mundo acadêmico com a vontade de causar impacto social e de causar mudança real na vida das pessoas, seja através de novos tratamentos ou da formação de evidências que pudessem sustentar políticas públicas.
_____________
*Euripedes Constantino Miguel é coordenador do CISM, professor titular da FMUSP e chefe do Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
_____________

Professor Euripedes acompanha a participação do jovem talento no ACNP, neste ano (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Por que você quer ser cientista e seguir carreira na pesquisa em saúde mental? Quais são os seus objetivos ao optar por esta trajetória? O que te fascina e motiva?
JM: Quero ser cientista e dedicar minha carreira à pesquisa em saúde mental porque acredito que a ciência é uma ferramenta poderosa para gerar impacto real e em larga escala na saúde pública. O que me fascina é a complexidade do cérebro humano e a possibilidade de traduzir dados estatísticos e variáveis em melhoria de vida para a população. A motivação vem do desafio de transformar o abstrato da mente em ciência aplicada e acessível. Meu objetivo principal é desenvolver modelos que possam ser aplicados no mundo real, otimizando o diagnóstico e o tratamento.
Eu acredito que o que mais me motiva a seguir a área de pesquisa e saúde mental seja a possibilidade de estar ali na fronteira do conhecimento, buscando coisas novas, coisas que a gente ainda não entende muito bem e, ao mesmo tempo, tentando fazer com que essas descobertas e coisas novas se transformem em impacto real na vida das pessoas, seja através de políticas públicas, nessa colaboração de gestores públicos com pesquisadores, mas também na prática clínica com os nossos paciente e nesse contato com as pessoas que, muitas vezes, a gente vê como participantes de uma pesquisa, mas que, no fundo, são seres humanos e são indivíduos que têm ali os seus sofrimentos, as suas dores e que a gente, através dessas pesquisas, pode minimizá-las.
– CISM: Pode comentar um pouco sobre o que vem estudando? Esta é a linha de pesquisa para a qual deseja se dedicar no futuro ou ainda não tem certeza?
JM: Eu uso dados da BHRC** para avaliar fatores de risco e proteção para adoecimento psiquiátrico transdiagnóstico em crianças e adolescentes. Ao longo dos dois últimos anos, tive a oportunidade de apresentar minha pesquisa em alguns congressos, o que foi muito proveitoso. Pretendo continuar nessa linha de pesquisa no futuro, buscando uma interface entre ciência e implementação.
_____________
*A BHRC (Brazilian High Risk Cohort for Mental Health Conditions – Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais) é um dos maiores estudos do mundo sobre o desenvolvimento do cérebro. O projeto é ligado ao CISM, onde recebe o nome de “Conexões Mentes do Futuro”.
_____________
– CISM: Você já participou de congressos e recebeu prêmios. Pode comentar sobre as conquistas que já alcançou desde a entrada na Iniciação Científica e qual é a importância desses reconhecimentos para a sua motivação?
JM: Desde que ingressei na FMUSP e iniciei meu programa de doutorado, minha trajetória tem sido marcada por uma evolução importante, deixando de ser apenas um olhar clínico para me tornar um pesquisador capaz de lidar com a complexidade dos dados em psicopatologia. Ver meus resultados publicados em revistas científicas de alto impacto é extremamente gratificante, pois representa a validação internacional de que as perguntas que estamos fazendo sobre a saúde mental possuem relevância global. Além das publicações, a participação em congressos nacionais e internacionais tem sido fundamental, permitindo que eu apresente meus trabalhos e debata metodologias avançadas com referências mundiais na área. Recentemente, a articulação para estágios de pesquisa e colaborações com instituições de elite, como a Yale University e o Child Mind Institute, consolidou-se como um marco de reconhecimento do potencial do meu projeto.
A importância dessas conquistas para a minha motivação é imensa. O reconhecimento por meio de publicações e convites internacionais valida o rigor acadêmico e o esforço que eu ponho nesse trabalho. Além disso, cada artigo aceito ou apresentação realizada reforça meu compromisso social, lembrando-me de que a ciência produzida na USP tem o poder de influenciar futuras políticas públicas e melhorar o diagnóstico psiquiátrico para a nossa população.
> Saiba mais sobre a participação de Jônatas em congressos clicando AQUI e AQUI

Jônatas em uma de suas participações em congressos internacionais (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Como você se vê daqui a alguns anos? Onde almeja chegar?
JM: Daqui a alguns anos, eu me vejo consolidado como um pesquisador independente, estabelecendo pontes entre a psiquiatria e a saúde pública. Almejo liderar um grupo de pesquisa que utilize modelagem estatística e inteligência artificial para personalizar tratamentos em saúde mental. Meu objetivo é estar na vanguarda da ciência brasileira, contribuindo para que as nossas descobertas não fiquem restritas aos artigos, mas que cheguem à ponta do sistema de saúde, transformando o cuidado clínico em larga escala.
Eu diria que eu me vejo daqui a alguns anos na posição de um cientista com conhecimento técnico mais consolidado, com a capacidade de ter e estabelecer uma linha de pesquisa mais robusta e, ao mesmo tempo, cada vez mais avançar na capacidade de fazer essa interface de pesquisa científica, unindo o conhecimento técnico com essa aplicação para o mundo real, seja através de interface com gestores públicos, seja através de interface com hospitais e aplicação direta para pacientes, mas eu pretendo continuar seguindo o meio acadêmico e buscando sempre trazer essas inovações com um impacto social real.
– CISM: O que você diria a um jovem estudante que deseja trilhar o mesmo caminho que você percorreu até aqui? Que conselhos e dicas você daria?
JM: Se eu tivesse que dar um conselho para pessoas que pretendem seguir esse mesmo caminho que eu, eu diria que seja perseverante. Esse caminho que a gente escolheu não é um caminho de uma corrida de 100 metros rasos, é um caminho de uma maratona. Então, frequentemente, a gente quer ser muito imediatista e quer ver mudanças, quer ver evolução num curto período de tempo. E, na verdade, a carreira de um cientista é essencialmente baseada na dúvida. A gente tá sempre buscando o que a gente não sabe, a gente tá sempre lidando com a incerteza, a gente tá sempre lidando com a possibilidade do nosso experimento dar errado, seja um experimento científico ou seja uma aplicação daquele experimento na vida real. Então, eu diria que ter perseverança e ter os objetivos a longo prazo na cabeça, em mente, é uma coisa extremamente importante para a gente não desanimar e para a gente não perder esse ímpeto que a gente tem.
– CISM: O que gostaria de perguntar ou quais dicas e conselhos gostaria de ouvir de pesquisadores experientes que um dia sonharam com a mesma carreira que você?
JM:Eu acho que se eu pudesse pedir conselhos para pessoas mais experientes, eu pediria conselhos em relação a como que elas lidam com o fato de que a gente tem uma série de evidências que já são bem estabelecidas e que mostram o caminho exato para onde deve seguir, para o que a gente tem que fazer para causar impacto real na vida das pessoas, e mesmo assim, muitas dessas evidências não são postas em prática, não são aplicadas na vida real, nos serviços, seja por incapacidade técnica ou por incapacidade financeira, às vezes por falta de interesse de algum setor. Mas essa é uma coisa que potencialmente desestimula a gente, por a gente saber que tem um caminho para se causar mudança e esse caminho não tá sendo aplicado. Isso me intriga muito e seria uma coisa que eu sempre que eu tenho a oportunidade de conversar com essas pessoas, eu converso.
– CISM: Como você encara o fato de ainda haver muitos desafios para fazer ciência no Brasil? Qual é a importância de se valorizar e investir na ciência brasileira?
JM: Eu diria que, de fato, ainda é muito difícil ser pesquisador tanto no Brasil quanto no mundo. A gente passa por uma série de desafios, mas ao mesmo tempo eu diria que esses desafios, principalmente encontrados em países de baixa e média renda como o Brasil, são os principais motores para o avanço e para o desenvolvimento, porque são pesquisas nesses países que de fato vão causar mudança e impacto na vida das pessoas.
Eu acredito que as pesquisas mereçam e devam e vão ser cada vez mais valorizadas. E nesse sentido, acho que o Brasil e o CISM têm um impacto e uma importância fundamental, porque a gente produz pesquisa de alta qualidade em um contexto de inseguridade financeira muitas vezes, sem saber se o projeto vai continuar indo para frente, e ao mesmo tempo, a gente consegue fazer e estabelecer colaborações com pessoas de todo o mundo, produzir um conhecimento e uma ciência de qualidade que, no final das contas, vai gerar impacto para a nossa população e também para população de todo o mundo, seja dos países de alta renda, mas também servindo de exemplo para outros países de baixa e média renda.
– CISM: Para além da vida acadêmica, conte um pouco sobre os seus hobbies e vida pessoal. Tem algum talento diferente ou pratica alguma atividade?
JM: A música ocupa um lugar central no meu cotidiano. Sou apaixonado por tocar violão e piano, momentos em que consigo me desconectar das obrigações. Além disso, gosto muito de praticar esportes, especialmente vôlei e futebol. Em São Paulo, sinto falta da energia renovadora da praia, que eu tinha fácil acesso em Salvador, mas sempre que posso vou ao litoral. Minha trajetória científica também se intersecciona com o compromisso social, o que se traduziu na atuação voluntária em ONGs de atendimento médico e humanitário, levando assistência a populações em contextos de vulnerabilidade, tanto na região da Amazônia quanto no centro de São Paulo. Essas experiências foram fundamentais para humanizar minha visão sobre a medicina e a saúde pública. Atualmente, viso unir a busca por impacto social com a tecnologia e a pesquisa: estou desenvolvendo uma plataforma de Inteligência Artificial voltada para a saúde mental.
_____________
Se inspirou pela história do Jônatas Magalhães?
> Aproveite para conferir um vídeo exclusivo no Instagram do CISM – clique AQUI
> Acompanhe o CISM nas redes sociais para não perder as próximas histórias da série “Quero ser cientista!”: Talentos em ascensão.

O jovem em atendimento voluntário em terra indígena na Amazônia (Foto: Arquivo pessoal)
9 de junho 2026
Institucional CISM


