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Pesquisadores do CISM treinam cerca de 200 profissionais do SUS para o cuidado em saúde mental na infância e adolescência

Pesquisadores do CISM treinam cerca de 200 profissionais do SUS para o cuidado em saúde mental na infância e adolescência 1920 793 INPD Cism

A capacitação foi voltada à equipe multiprofissional da Rede de Atenção Psicossocial, incluindo psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogos e médicos

Integrantes do núcleo de pesquisa voltado à “Saúde Mental de Crianças e Jovens Adultos”, do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), realizaram uma nova capacitação para o acolhimento, identificação e cuidado em saúde mental na infância e adolescência. O treinamento aconteceu na última sexta-feira (7), na modalidade online, e reuniu aproximadamente 200 profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), programa do ⁠Sistema Único de Saúde (SUS) destinado à assistência em saúde mental.

Esta foi a segunda capacitação realizada neste ano, voltada a ampliar o acesso a intervenções em saúde mental e neurodesenvolvimento para crianças e adolescentes por meio da implementação de protocolos clínicos baseados em evidências na rede pública do Estado de São Paulo. A primeira aconteceu no dia 19 de junho, de forma presencial no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) – confira

Participaram deste último treinamento psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogos, médicos psiquiatras, pediatras, além de educadores. A capacitação foi conduzida pela pesquisadora e neuropsicóloga Joana Portolese, responsável pelas atividades do CISM relacionadas à implementação de protocolos clínicos no SUS. 

“O encontro é destinado a apoiar integrantes da equipe multiprofissional da RAPS, visando a orientação e o cuidado integral às demandas de saúde mental de crianças e adolescentes, o fortalecimento de práticas de acolhimento e intervenção breve, o desenvolvimento de habilidades para um apoio qualificado e sensível às necessidades, a promoção da identificação precoce e o devido encaminhamento, bem como o favorecimento da articulação em rede”, explica Joana. “Saúde mental se acolhe, se identifica, se cuida e se conecta”, acrescenta a pesquisadora.  

O treinamento

Joana Portolese e os psiquiatras William Aoqui e Daniele Tamae ministraram as aulas do curso (Foto: Arquivo pessoal)

O curso, que começou pela manhã e se estendeu até o fim da tarde, foi dividido em duas partes, nas quais os palestrantes falaram sobre acolhimento e orientação para cuidadores e jovens, com foco no desenvolvimento de habilidades, avaliação de suporte, medidas protetivas e identificação compartilhada de desafios emocionais.

Outro tema abordado foi o acolhimento e avaliação funcional para o direcionamento da intervenção no Transtorno do Espectro Autista (TEA). As aulas foram ministradas por Joana e pelos psiquiatras da infância e adolescência Daniele Tamae e William Aoqui. Este último focou sua fala no acolhimento, vínculo e engajamento da família no cuidado.  

“A gente precisa tomar cuidado com a forma como a gente comunica com as famílias algumas questões que são mais delicadas, evitando falas de julgamento […] A primeira questão que temos que considerar quando estamos diante de uma família, é tentar fazer esse acolhimento, para podermos trabalhar um vínculo para que ela realmente se engaje na proposta daquilo que a gente está querendo sensibilizar”, disse Aoqui.  

Entre outros assuntos, a psiquiatra Daniele apresentou a “avaliação de segurança”, explicando aos participantes como identificar risco de suicídio, de autolesão e de danos causados por terceiros, com uma abordagem estruturada e bem estabelecida para apoiar o atendimento dos jovens e de seus familiares, visando garantir a segurança de todos. 

A psiquiatra também apresentou estratégias para o manejo de crises e de comportamentos agressivos no TEA, como redução de estímulos excessivos; linguagem clara e concreta; ensino de comunicação; e previsibilidade, ou seja, o estabelecimento de uma rotina e avisos. “O comportamento da agressividade não é uma birra intencional, está muito relacionado a toda sobrecarga que pode estar acontecendo”, pontuou na aula. 

Com pesquisas voltadas a aprimorar métodos de identificação de pontos fortes e dificuldades em crianças e adolescentes no TEA, Joana apresentou algumas ferramentas que podem ser aplicadas para o cuidado e acolhimento dos pacientes, como um mini-plano realista para o reajuste do sono, focando em mudanças pequenas, mas alcançáveis. 

A psicóloga também abordou os chamados “gatilhos” e a necessidade de perceber o que acontece antes das crises. Joana explicou como os profissionais podem investigar os gatilhos junto à família do paciente ao observar a ocorrência de mudanças inesperadas na rotina, excesso de estímulos sensoriais e demandas difíceis ou poucos claras, por exemplo. 

O treinamento é fruto de uma parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e foi oferecido como uma iniciativa do CISM e do Child Mind Institute (CMI), que atuam em conjunto para o desenvolvimento das ações ligadas ao núcleo de pesquisa. Além de Joana e dos dois psiquiatras, a capacitação contou com a liderança do Professor da FMUSP Guilherme Polanczyk, pesquisador do CISM e coordenador do módulo “Saúde Mental de Crianças e Jovens Adultos”; e organização das psicólogas Paola Lourenço e Adriana Argeu.

11 de agosto 2026

Institucional CISM