Estudante de Psicologia, jovem conheceu a ciência na prática ao participar do projeto “Neurobots”; ela sonha em seguir carreira na área da saúde mental
“O meu interesse pela pesquisa científica se deu quando conheci o CISM e o projeto que participo agora”, conta Ana Beatriz de Oliveira Balter. A jovem, de apenas 20 anos, cursa o 4º semestre de Psicologia no Centro Universitário Max Planck (UniMAX – Indaiatuba), instituição parceira do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM).
Graças à parceria entre CISM e UniMAX, Ana Beatriz pôde descobrir o mundo da pesquisa científica. A estudante conheceu um dos projetos que o CISM desenvolve em conjunto com a universidade e aproveitou uma oportunidade que selecionava alunos para uma bolsa de Iniciação Científica (IC). Foi assim que, em 2025, Ana Beatriz começou a atuar como assistente de pesquisa no programa “Neurobots”, que acontece dentro da UniMAX.
“É a primeira vez que participo de um projeto de pesquisa e eu não sabia realmente como ia me encaixar nesse processo ou o que esperar. Mas assim que conheci o projeto que participo, li sobre e conheci meus colegas/supervisores do projeto, percebi que era algo que eu me entregaria. É uma experiência onde a cada passo dado e a cada novidade positiva nas reuniões semanais, me sinto impulsionada a continuar e trazer ainda mais resultados”, diz.
Com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Ana Beatriz é um dos talentos em formação no CISM. Conheça, agora, a história da jovem e descubra o caminho que ela percorreu até chegar na graduação na UniMAX e na IC.
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Ana Beatriz, ao lado de sua mãe, na formatura do curso técnico de Enfermagem (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Ana Beatriz, pode contar um pouco sobre quem é você?
Ana Beatriz: Olá, meu nome é Ana Beatriz, tenho 20 anos e estou no 4º semestre do curso de Psicologia no Centro Universitário Max Planck (UniMAX – Indaiatuba) e sou bolsista de Iniciação Científica do CISM.
– CISM: Como foi a sua trajetória escolar antes de ingressar na UniMAX?
Ana Beatriz: Cursei o Ensino Fundamental e o Ensino Médio em escola pública em Indaiatuba, na Escola Estadual Antônio de Pádua Prado.
– CISM: O que te motivou a escolher a área da saúde mental? Pode contar um pouco sobre quem te inspirou e como foi o processo de dedicação até a entrada na UniMAX?
AB: A minha motivação para escolher a área da saúde mental se deu quando comecei a fazer terapia com uma psicóloga, na pandemia, e ao voltar para a escola, sabendo que ia ser um momento difícil. E ao passar das consultas, percebi que me interessava muito não só em me conhecer na terapia, mas também em entender como minha psicóloga fazia isso, como ela me entendia e me ajudava a evoluir apenas se baseando no que eu contava. Aí, eu já tinha uma noção do que queria, mas isso se aflorou quando fiz o técnico de Enfermagem. De todos os campos de estágio que passei, os CAPS me fizeram ter certeza que me interessava pela área de saúde mental e por cursar Psicologia.
– CISM: Pode falar um pouco sobre o seu contexto familiar? Seus pais também atuam na área? De que forma eles te inspiraram a seguir nos estudos?
AB: Meus pais não atuam na área da saúde mental, mas sempre foram atentos ao bem-estar emocional e psíquico, o que me levou a fazer terapia e, então, escolher a Psicologia.
– CISM: Em que momento o interesse pela pesquisa científica surgiu na sua trajetória? Ao ingressar na faculdade, já pensava em participar de projetos de pesquisa?
AB: O meu interesse pela pesquisa científica se deu quando conheci o CISM e o projeto que participo agora*. Ao entrar na faculdade, inicialmente eu não tinha planos de participar de projetos de pesquisa, mas então colegas meus tiveram esse contato e ao conversar com eles ao longo do tempo, fui me interessando.
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*A jovem atua no projeto “Neurobots”, coordenado pela Professora Márcia Acevedo Coutinho, docente de Medicina da UniMAX e doutoranda do CISM
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– CISM: Quem são suas maiores inspirações na área da ciência em saúde mental? Como e por que essas pessoas te inspiram?
AB: Minha maior inspiração na área da ciência em saúde mental é uma que nunca vou conseguir esquecer, por ser um dos primeiros contatos que tive com a história da psiquiatria/psicologia. Nise da Silveira foi uma médica psiquiatra no Brasil que revolucionou o tratamento mental por meio da arte e da livre expressão. E como pessoa leiga que eu era na época em que conheci o trabalho dela, isso me encantou e me deu uma perspectiva nova da psiquiatria e psicologia, o que me impulsionou ainda mais na escolha da minha profissão, agora que eu tinha uma visão menos clínica e estéril do tratamento psicológico e psiquiátrico.
Ana Beatriz (ao lado do banner) com seus colegas e professora da UniMAX apresentando o projeto em uma feira de ciências (Foto: Arquivo pessoal)
– CISM: Pode comentar um pouco sobre o projeto que você participa?
AB: Participo de um projeto vinculado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) com o título de “A combinação de Neurofeedback Hemoencefalográfico (HEG) e Mindfulness para a redução do estresse no ambiente de trabalho: Ensaio Clínico Randomizado”.
O projeto consiste em testar o uso da terapia de mindfulness e atenção plena para a diminuição do estresse e ansiedade no ambiente de trabalho. Em parceria com a startup Neurobots e seu aparelho, o hemoencefalográfico, que é posicionado na testa do participante do estudo, o projeto tem o objetivo de medir o fluxo de oxigênio do lóbulo frontal durante a meditação guiada/mindfulness, medindo os níveis de atenção.
– CISM: Como vem sendo a sua experiência na Iniciação Científica? É a primeira vez que participa de um projeto de pesquisa? Como vem sendo descobrir como é a carreira de um pesquisador e experimentar a ciência na prática?
AB: Minha experiência com a Iniciação Científica foi repentina. É a primeira vez que participo de um projeto de pesquisa e eu não sabia realmente como ia me encaixar nesse processo ou o que esperar, mas assim que conheci o projeto que participo, li sobre e conheci meus colegas e supervisores do projeto, percebi que era algo que eu me entregaria. É uma experiência onde a cada passo dado e a cada novidade positiva nas reuniões semanais, me sinto impulsionada a continuar e trazer ainda mais resultados.
– CISM: Como você se vê daqui a alguns anos? Onde almeja chegar na carreira?
AB: Daqui a alguns anos, eu me vejo terminando a faculdade e podendo finalmente praticar o que aprendi na minha profissão de escolha. Quero encarar os primeiros momentos pós-faculdade, mesmo que talvez seja um momento difícil e de diversas escolhas e desafios, para ganhar experiência, tanto da área que me interesso, mas também tendo a oportunidade de experienciar outras coisas, talvez outras pesquisas, trabalhando na área organizacional e então até mesmo fazer uma pós em psicologia forense.
– CISM: O que você diria a um jovem estudante que deseja trilhar o mesmo caminho que você percorreu até aqui? Que conselhos e dicas você daria?
AB: Se você é um jovem estudante e sonha em participar do curso dos sonhos na faculdade ou de um projeto de pesquisa científica, não pare de tentar. Levar as coisas no seu ritmo é essencial para achar seu caminho, isso não significa que está atrasado ou que é inadequado. A única coisa que pode te impedir de alcançar esse sonho é se você parar de tentar. Então, siga com determinação, encare os erros ou pedras no caminho como novos começos, e não como motivo de desistência.
– CISM: O que você gostaria de perguntar ou quais dicas e conselhos gostaria de ouvir de profissionais experientes que um dia sonharam com a mesma carreira que você?
AB: Acho que as maiores dúvidas que tenho enquanto caminhando em minha carreira é se estou fazendo o certo e seguindo de maneira própria para a área de atuação. Então, algumas dicas sobre como se portar e de que maneira seguir seriam as melhores. Talvez por ouvir experiências de profissionais experientes.
– CISM: Como você encara o fato de ainda haver muitos desafios para fazer ciência no Brasil? Qual é a importância de se valorizar e investir na ciência brasileira?
AB: Acho que encaro os desafios para se fazer ciência no Brasil como um motivador, e não apenas como um obstáculo. Minha visão sobre as contribuições da ciência brasileira para o mundo é que conseguimos dar sempre uma perspectiva diferente para estudos na área de saúde mental, contando com as diferenças culturais. E continuando nessa linha de pensamento, é importante valorizar e investir na ciência brasileira para termos uma conduta apropriada, onde lidamos com problemas de dentro do país com propriedade, do Brasil para o Brasil.
– CISM: Para além da vida acadêmica, conte um pouco sobre os seus hobbies e vida pessoal. Tem algum talento diferente ou pratica alguma atividade?
AB: Meus hobbies se voltam sempre a algo que tem a ver com arte, como desenhar, ler, ouvir música e jogar jogos de interpretação. Além disso, já participei de um serviço voluntário numa OSC em Indaiatuba, onde, durante um semestre com um grupo da faculdade, revitalizamos o jardim da instituição com os usuários.
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A jovem se encantou pela área da saúde mental ao longo das sessões de terapia com sua psicóloga (Foto: Arquivo pessoal)
28 de setembro 2026
Institucional CISM


