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Alunos de medicina cotistas sofrem mais depressão e estresse do que estudantes de universidades privadas, revela estudo

Alunos de medicina cotistas sofrem mais depressão e estresse do que estudantes de universidades privadas, revela estudo 1502 844 INPD Cism

Pesquisa foi feita com 1.026 graduandos de 74 universidades públicas e privadas brasileiras; resultados foram publicados em importante revista científica

Um estudo realizado por integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) revelou que alunos de medicina que ingressaram no Ensino Superior por meio de políticas de ação afirmativa enfrentam vulnerabilidades acumuladas e ambientes de aprendizagem significativamente piores do que seus pares de universidades privadas. O estudo, recém-publicado no periódico médico Brazilian Journal of Psychiatry (BJP), mostra que esses alunos apresentam mais sintomas de depressão e estresse acadêmico. 

A pesquisa foi realizada com o objetivo de examinar as associações entre o ambiente de aprendizagem, os estressores acadêmicos e a saúde mental de estudantes brasileiros de medicina em diferentes contextos institucionais. Participaram da investigação científica 1.026 alunos do curso de medicina de 74 universidades públicas e privadas. 

Para chegar às conclusões, os pesquisadores aplicaram diversos questionários e escalas nos participantes. Alguns dos instrumentos avaliaram sintomas mais gerais, como depressão, ansiedade, tristeza, perda de interesse, alterações de sono e cansaço, enquanto outros são específicos sobre a percepção do ambiente de aprendizagem e os fatores de estresse na formação médica, como o Johns Hopkins Learning Environment Scale (JHLES) e o Medical Student Stressor Factor Scale (MSSFS / MSFSS), respectivamente. 

As escalas específicas sobre as condições do ambiente de aprendizagem examinaram aspectos como a qualidade das relações com colegas e professores, o apoio acadêmico, inclusão, oportunidades de aprendizado, carga de estudos, pressão por desempenho, dificuldades financeiras e até mesmo as incertezas sobre o futuro profissional. 

O estudo foi orientado pelo psiquiatra e pesquisador do CISM, Dr. Rodolfo Furlan Damiano, e contou com a autoria da bolsista de Iniciação Científica (IC), Laura Fernandes Berto, aluna da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A primeira autora é Clarissa Garcia Custódio, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC).

“A pesquisa demonstrou que estudantes admitidos em universidades públicas por meio de políticas de ação afirmativa enfrentam vulnerabilidades acumuladas. Os dados indicam, portanto, que intervenções de saúde mental devem concentrar-se na redução do estresse acadêmico e na melhoria dos ambientes de aprendizagem, especialmente em instituições públicas que atendem grupos socialmente desfavorecidos”, afirma Damiano.  

As descobertas

Ao avaliar os resultados dos questionários, os pesquisadores identificaram uma diferença de 2,7 pontos na escala que comparou o ambiente de aprendizagem entre os dois grupos. Enquanto os estudantes de universidades públicas pontuaram uma média de 81,9 neste quesito, os universitários de instituições privadas tiveram um dado superior: 84,6.

Em relação aos sintomas de depressão, alunos cotistas pontuaram 14,2, os outros, por sua vez, 12,8 – uma diferença de 1,4 ponto. Já em relação ao estresse acadêmico, o primeiro grupo marcou 134 pontos na escala, enquanto o segundo 129,1, ou seja, 4,9 pontos a menos. As três diferenças são consideradas estatisticamente significativas. 

“Além disso, o estudo revelou que os estressores acadêmicos estavam significativamente associados tanto aos sintomas depressivos quanto aos de ansiedade. Percebemos que quando há melhor percepção sobre a qualidade do ambiente de aprendizagem, menor é a gravidade dos sintomas depressivos”, destaca o pesquisador. 

Do total geral de participantes, mais da metade (53,7%) se enquadrou em perfis de alto risco para vulnerabilidade psicológica, cerca de um terço (32,7%) em sofrimento moderado e uma minoria – de apenas 13,6% – em alto funcionamento, ou seja, com baixos níveis de depressão e ansiedade, menor estresse e boa adaptação ao ambiente acadêmico. “Notamos, ainda, que os alunos de ações afirmativas estavam mais concentrados nos perfis de maior sofrimento psicológico, ou seja, nos grupos de maior risco”, finaliza Damiano. 

Artigo

O artigo publicado no Brazilian Journal of Psychiatry contou com a participação de outros pesquisadores do CISM, entre eles o Professor Euripedes Constantino Miguel, coordenador do Centro de Pesquisa, além de Lilian Cristie de Oliveira e Bianca Besteti Fernandes Damiano, que integram, ao lado de Damiano, o projeto “SAVE Study”.

Quer saber mais sobre os achados do estudo? Confira o artigo completo AQUI.

5 de agosto de 2026

Institucional CISM