Pesquisa
Ciência da Implementação
Ciência da Implementação
Núcleo focado em aproximar a produção científica dos contextos reais de cuidado, educação e gestão pública, transformando intervenções baseadas em evidências em estratégias factíveis, sustentáveis e potencialmente escaláveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e em outros espaços comunitários.
Primeiros Laços
O “Primeiros Laços” avalia o efeito de um programa de visitação domiciliar realizado por enfermeiras para mães adolescentes que vivem em condições adversas. O objetivo do projeto é promover o vínculo entre mãe e filho, o desenvolvimento infantil, a saúde materna e o ambiente familiar.
O programa atua em cinco domínios: 1 - Saúde e assistência social - psicoeducação em relação à saúde materno-infantil; 2 - Saúde ambiental: ajuda a identificar recursos que garantam condições de vida adequadas; 3 - Curso de vida: planejamento do curso de vida para ajudar as participantes a alcançarem metas relacionadas a estudo, trabalho e planejamento familiar; 4 - Habilidades parentais: psicoeducação em habilidades parentais e comportamentos adequados para cada estágio de desenvolvimento da criança; 5 - Família e rede social de apoio: estimula as gestantes e mães a reconhecerem e utilizarem os recursos familiares e sociais no processo de desenvolvimento dos bebês.
O estudo é pioneiro em aliar o método experimental com avaliações sistemáticas longitudinais que compreendem os domínios cognitivos, emocionais, genéticos e neurofisiológicos. Os dados comprovam o efeito do projeto sobre importantes domínios do desenvolvimento infantil, como a linguagem expressiva e a motricidade grossa. Os resultados são corroborados por achados genéticos e neurobiológicos, evidenciando o efeito do programa em modificar positivamente a trajetória da criança.
CONEMO
O projeto “CONEMO - CONtrole EMOcional” tem como objetivo implementar um aplicativo baseado na ativação comportamental para pessoas com sintomas depressivos e de ansiedade nas unidades básicas de saúde. Espera-se que a implementação do aplicativo melhore o acesso ao tratamento e reduza a sobrecarga nas unidades básicas de saúde.
Esses sintomas de saúde mental possuem altas taxas de prevalência no Brasil e no mundo. Nos países de baixa e média renda, em especial, a falta de recursos especializados em saúde mental também representa um grande desafio. Neste contexto, intervenções digitais têm se mostrado promissoras e o aplicativo CONEMO se destaca como uma solução escalável e acessível.
O projeto utiliza o modelo da ciência da implementação para avaliar a efetividade da intervenção, com foco principal na redução dos sintomas de depressão e ansiedade, e para avaliar as barreiras e oportunidades para sua implementação. Dados qualitativos são coletados por meio de entrevistas para identificar as barreiras e os facilitadores da implementação e aprimorar a intervenção de acordo com as demandas locais. A equipe de pesquisa possui ampla experiência na condução de estudos semelhantes em ciência da implementação e saúde mental digital.
SAVE Study
O projeto “SAVE Study” visa avaliar a eficiência de diferentes abordagens para a prevenção de pensamentos e comportamentos suicidas em pacientes de alto risco nas unidades de emergência do município de Indaiatuba, no interior de São Paulo.
Os pesquisadores realizarão um ensaio clínico randomizado e controlado, de fase 4, para avaliar e comparar os resultados de três diferentes intervenções. Uma delas fará uso da escetamina, um anestésico que tem mostrado resultados rápidos na redução da ideação suicida, oferecendo alívio imediato para pacientes passando por uma crise aguda. A outra abordagem será focada no “Plano de Resposta à Crise (PRC)”, uma intervenção não-farmacológica de segurança psicológica baseada em evidências. O plano, que também será disponibilizado em combinação com o tratamento usual aprimorado, inclui estratégias para reconhecer sinais de alerta, utilizar mecanismos de enfrentamento internos e externos, além de como acessar apoio profissional, reduzindo o risco de tentativas.
A terceira e última abordagem avaliará os resultados em pessoas que receberão apenas o tratamento usual. O objetivo é comparar os efeitos da escetamina e do Plano de Resposta à Crise na redução da ideação e dos comportamentos suicidas em pacientes de alto risco, fornecendo evidências para intervenções acessíveis e econômicas que possam ser implementadas na saúde pública e ajudem a aliviar, com maior efetividade, o sofrimento desses pacientes.
Intervenção Educativa em Saúde Mental
O projeto “Intervenção Educativa em Saúde Mental” surgiu a partir de uma demanda apresentada pela coordenação de saúde mental do município de Jaguariúna (SP), que identificava baixa resolutividade da Atenção Primária no manejo de problemas de saúde mental e, como consequência, elevado volume de encaminhamentos para os serviços especializados.
Foi realizado um estudo piloto de implementação voltado à capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde de Jaguariúna, sendo desenvolvido um curso composto por módulos voltados a profissionais e gestores da Atenção Primária. As aulas, ministradas pelo Google Meet, tiveram duração aproximada de 30 a 60 minutos, combinando exposições teóricas, discussão de casos e momentos de interação entre instrutores e participantes. Como desdobramento da intervenção, foi publicado o “Guia rápido de como avaliar, intervir e encaminhar 15 situações de saúde mental na Atenção Primária”.
A intervenção funcionou como uma experiência aplicada de co-construção entre universidade e gestão pública. Ao combinar diagnóstico das necessidades locais, capacitação profissional, produção de material técnico e avaliação de implementação, o projeto contribuiu para fortalecer a capacidade da Atenção Primária de lidar com demandas comuns de saúde mental e para produzir aprendizados relevantes para futuras iniciativas de qualificação da rede.
Saúde Mental nas Escolas
O projeto “Saúde Mental nas Escolas” teve como objetivo a promoção da literacia em saúde mental de professores por meio de estratégias de educação a distância. Realizado em parceria com o Instituto Ame Sua Mente, a iniciativa buscou prevenir e atenuar o impacto dos transtornos mentais entre os alunos, bem como promover a saúde mental e antecipar a identificação e o encaminhamento de estudantes com transtornos.
A formação em saúde mental para os professores visou, ainda, reduzir o estigma ligado a essas questões, bem como apoiar os educadores no manejo em sala de aula. O “Saúde Mental nas Escolas”, que contou com grande envolvimento da comunidade local, investigou também a implementação de um ecossistema de intervenções que, além do treinamento, envolve o “Bússola” – um chatbot via WhatsApp para apoio às questões relacionadas à autolesão e suicídio, além de formulário para apoiar o encaminhamento de estudantes para os serviços de saúde, planos de ensino, jogos e diversos conteúdos digitais que apoiam o educador a tratar do tema de saúde mental na sala de aula.
Ao longo de sua execução, o projeto alcançou escala relevante nos municípios de Indaiatuba e Jaguariúna, no interior de São Paulo, envolvendo gestores e educadores da rede municipal, com participação de 31 escolas, cobertura de aproximadamente 64,5% das escolas de ensino fundamental dos dois municípios e emissão de 421 certificados. O projeto segue em andamento com o Instituto Ame Sua Mente. Saiba mais.
e-Saúde Mental no SUS
O projeto “e-Saúde Mental no SUS” é uma plataforma, que conta com recursos de tecnologia, baseada em três pilares: 1. Usuários - auxiliará as pessoas no cuidado da saúde mental; 2. Atenção Primária - apoiará profissionais nas avaliações e tratamento; 3. Gestores - ajudará na produção de informações para o planejamento em políticas públicas de saúde mental.
A plataforma é orientada por evidências científicas e utilizará questionários validados para auxiliar o profissional a diagnosticar com mais acerto e de forma mais rápida. O recurso ajudará na identificação de melhores intervenções, desde técnicas de terapia até encaminhamentos a serviços especializados.
O projeto visa o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) ao prever a adoção da ferramenta como serviço público e possibilitar maior assistência e solução dos casos de saúde mental. De uso simples e universal, a tecnologia poderá alcançar pacientes em áreas com poucos recursos, impactar populações vulneráveis e reduzir desigualdades regionais.
É fruto de construção conjunta entre universidades, pesquisadores de excelência com larga atuação em saúde mental, gestores do SUS e uma equipe multidisciplinar que une psiquiatras, psicólogos e outros profissionais. O projeto foi aprovado e está aguardando a liberação de recursos financeiros para sua execução.
Suicide Risk Assessment Protocol (S-RAP)
O suicídio configura-se como um grave problema de saúde pública global, apesar dos avanços em estratégias preventivas baseadas em evidências, muitos países ainda apresentam taxas crescentes de suicídio, reforçando a necessidade de instrumentos eficazes para identificar fatores de risco como ideação suicida, planejamento, acesso a meios letais e histórico de autolesão.
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo implementar e avaliar, na Atenção Primária à saúde, a ferramenta digital chamada S-RAP (Suicide Risk Assessment Protocol). Trata-se de uma pesquisa metodológica, voltada à investigação dos processos de coleta, organização e análise de dados, que também busca compreender e superar barreiras como a adesão dos profissionais e a resistência à inovação tecnológica, visando uma integração eficaz da ferramenta aos fluxos de trabalho clínico.
O projeto é conduzido com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da FMUSP, e a participação dos profissionais foi formalizada por meio de TCLE após capacitação, assegurando autonomia e transparência. Os resultados preliminares indicam a relevância da ferramenta digital para a avaliação de risco de suicídio na Atenção Primária, além de destacar a robustez do sistema de segurança e privacidade da plataforma - elemento essencial em intervenções na área de saúde mental.