Participaram do evento mais de 20 integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental; projetos em desenvolvimento no CISM também foram apresentados
O Congresso Brain 2026, realizado entre os dias 3 e 6, contou com uma participação massiva de cientistas e estudantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM). Mais de 20 integrantes pautaram debates e compartilharam importantes descobertas fruto dos estudos que vêm conduzindo. Seis alunos, orientados pelos pesquisadores do CISM, foram reconhecidos com o “Prêmio Jovem Pesquisador”.
A edição deste ano aconteceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e reuniu centenas de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, referências em saúde mental. Ao longo dos quatro dias, o congresso ofereceu simpósios, mesas-redondas, talk shows, mentorias, cursos, palestras, atividades culturais, apresentação de pôsteres, entre outras iniciativas que compartilharam os avanços mais recentes da pesquisa científica na área.
O primeiro dia do evento contou com a participação do Professor Euripedes Constantino Miguel, coordenador do CISM, como palestrante no painel “Neurociência Aplicada”, no qual ele falou sobre “A neurobiologia do medo: o que nos paralisa e o que nos faz evoluir”. Ainda na quarta-feira, outros 11 pesquisadores do CISM participaram de mesas redondas, simpósios e apresentações, contribuindo com diferentes temáticas e discussões.

O Professor Euripedes, coordenador do CISM, palestrou no painel “Neurociência Aplicada” (Foto: Arquivo pessoal)
Além de palestrar em uma das salas sobre “como não tornar o nosso cérebro um refém da tecnologia”, o vice-coordenador do CISM, Professor Luis Augusto Rohde, foi o condutor de um simpósio especial sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Especialista de renome internacional do assunto, o cientista discutiu o diagnóstico preciso e a escolha personalizada para o tratamento do transtorno.
No mesmo dia, o psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano marcou presença em duas mesas falando sobre a eficácia dos estabilizadores de humor e antipsicóticos nas depressões unipolares e sobre o tamanho do problema e o grau de sofrimento na depressão refratária. Também na quarta, o pesquisador foi um dos especialistas do curso de imersão em ansiedade e depressão, no qual abordou neurobiologia e prática clínica.

O psiquiatra Rodolfo Damiano participou de diversos debates e apresentações no evento (Foto: Arquivo pessoal)
Ainda no dia da abertura, o painel “Neuropsiquiatria do Desenvolvimento” ofereceu uma sessão especial intitulada “O que aprendemos com 15 anos do Estudo Brasileiro de Alto Risco para Transtornos Mentais (BHRC): riscos, trajetórias e impacto transgeracional na saúde mental”. A BHRC, projeto ligado ao CISM, é um dos mais importantes estudos do mundo sobre o neurodesenvolvimento. O debate contou com a participação dos psiquiatras Pedro Mario Pan e Luísa Sugaya, ambos integrantes do CISM e pesquisadores da BHRC.
Luísa também compôs uma segunda mesa ao lado do gerente de pesquisa do CISM, Arthur Caye. No debate “Fatores de risco e resiliência na infância e adolescência: o impacto do ambiente”, ela fez uma explanação sobre o papel das interações familiares, vínculos e práticas parentais no desenvolvimento socioemocional, enquanto o colega tratou de como romper o ciclo vicioso entre pobreza e saúde mental na infância e adolescência.
Assim como Luísa, Pedro Pan também teve uma segunda participação na quarta-feira: em uma mesa sobre estados mentais de risco na infância, ele detalhou o que acontece na vida adulta de crianças e adolescentes que apresentam sintomas de psicose.
Outro pesquisador do CISM com forte participação no dia da abertura do Congresso Brain foi Guilherme Vanoni Polanczyk, um dos presidentes do evento. Em um dos debates, o cientista falou sobre TDAH na infância, apresentando caminhos de risco e oportunidades de prevenção para futuros casos de transtorno por uso de substâncias. Já em outra roda de conversa, Polanczyk discutiu a saúde mental de crianças e adolescentes na era digital.
Simpósios do primeiro dia
No primeiro dia do Brain, outros três simpósios foram conduzidos por pesquisadores do CISM. Pela manhã, Daniel Fatori moderou “O futuro da psicoterapia: otimização de componentes, precisão clínica e inovação digital”, que teve entre os palestrantes a professora Renatha El Rafihi-Ferreira, pesquisadora do projeto “iTCC” no CISM. Na mesa, a psicóloga apresentou dados sobre a psicoterapia de precisão e suas adaptações.
Já no simpósio “Psicologia do sono em foco: abordagens transdiagnósticas e personalização no tratamento da insônia”, Renatha atuou como moderadora e debateu e ACT aplicada à insônia, abordando desde a formulação do caso ao plano terapêutico.

Daniel Fatori (ao centro) e a Professora Renatha dividiram uma mesa de debates (Foto: Arquivo pessoal)
Por sua vez, a psiquiatra Alice Castro Menezes Xavier foi a moderadora de um simpósio que tratou de ansiedade e do Transtorno do Espectro Autista (TEA), debatendo o diagnóstico preciso e o tratamento adequado. A psiquiatra fez uma explanação sobre como manejar a ansiedade no TEA a partir da psicoterapia adaptada e da psicofarmacologia.
Também na quarta-feira, Marcelo Q. Hoexter palestrou no simpósio “TOC ao longo da vida: da vulnerabilidade transdiagnóstica à prática clínica”, apresentando estratégias terapêuticas para casos complexos e multimórbidos. Ao lado dele, também como palestrante, estava o aluno de doutorado do CISM Jônatas Magalhães Santos, que falou sobre “o fator P e a psicopatologia”, explicando por que o TOC raramente caminha sozinho.

O doutorando Jônatas (à esquerda) e o especialista Hoexter (ao centro) palestram sobre TOC (Foto: Arquivo pessoal)
Segundo dia
No segundo dia do Congresso Brain, iniciaram suas participações o Professor Paulo Rossi Menezes, diretor científico do CISM, e Jair Mari, coordenador do eixo de recursos humanos. O primeiro participou de uma discussão fortemente relacionada à sua linha de atuação no CISM: tecnologia como ferramenta de acesso à saúde mental em escala, tratando do desenvolvimento de plataformas inteligentes de saúde mental para o SUS. Por sua vez, Jair Mari marcou presença no painel “Cérebro, comportamento e emoções”.

O Professor Paulo destacou o CONEMO como intervenção tecnológica de saúde mental (Foto: Arquivo pessoal)
O pesquisador Marcos Leite Santoro também somou-se ao evento no segundo dia. Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ele foi um dos convidados do painel “Mudanças climáticas e saúde mental: evidências sobre calor, poluição e eventos extremos”, no qual discutiu sobre o impacto de eventos climáticos extremos na saúde mental de crianças e adolescentes da Coorte de Alto Risco para Condições Mentais.

Pedro Pan (à esquerda) e Marcos Leite Santoro (à direita) apresentaram dados da BHRC em suas palestras (Foto: Arquivo pessoal)
Além de palestrar sobre ambiente familiar, herança genética e trajetórias em saúde mental, apresentando dados de estudos feitos com gêmeos, o vice-coordenador do CISM, Professor Rohde, conduziu um novo simpósio no segundo dia do evento. Na atividade, explorou o manejo no TDAH a fim de entender como conduzir cenários desafiadores.
Assim como Rohde, outros pesquisadores do CISM que estiveram no primeiro dia do congresso também se envolveram em novas atividades na quinta-feira (4). Damiano debateu sobre a interrupção da progressão dos transtornos do humor, coordenou discussão relacionada à neurociência do efeito placebo e ainda ministrou palestra sobre alterações imunes e os transtornos de humor, abordando a busca de uma medicina personalizada.
Já Polanczyk foi moderador de um debate sobre “cérebros em transformação”, discutindo vulnerabilidade, diversidade e resiliência. No segundo dia, o psiquiatra ainda falou sobre irritabilidade na infância durante a atividade “Brain Clinical Experience”.
Os psiquiatras Caye e Pan se encontraram na mesa “A psiquiatria do futuro: inovações digitais no diagnóstico e tratamento de transtornos do neurodesenvolvimento”. Enquanto o primeiro ofereceu contribuições sobre a implementação de inovações em saúde mental digital na adolescência, o segundo apresentou possibilidades para o uso de celulares smartphones e wearables para um monitoramento contínuo e personalizado.
Assim como os colegas, Hoexter repetiu presença na quinta. No painel “Tratamento de doenças mentais graves”, o especialista falou sobre ansiedade e TOC, levantando discussão sobre tratamento baseado nas dimensões do medo e sensibilidade a ameaças.

Arthur Caye, gerente de pesquisa do CISM, participou de diversas atividades no congresso (Foto: Arquivo pessoal)
Simpósios do segundo dia
Ainda no segundo dia, o doutorando do CISM, Caio Petrus Monteiro Figueiredo, foi um dos três palestrantes do simpósio “Desafios contemporâneos no manejo dos transtornos por uso de substâncias: novos modelos de cuidado, chemsex e opióides”. O jovem, que conduz estudo dentro desta temática no CISM, fez uma apresentação sobre o uso de substâncias em contextos de festa e sexo, discutindo cenários entre recreação e a adicção.

Caio Petrus é doutorando do CISM, com bolsa da Fapesp (Foto: Arquivo pessoal)
Também na quinta, foi realizado um simpósio especial sobre um dos projetos em andamento do CISM: o CONEMO. A atividade “Ciência da implementação para inserção de estratégias digitais no manejo dos transtornos mentais comuns na atenção primária à saúde” apresentou o projeto que visa reduzir sintomas de ansiedade e depressão a partir de um aplicativo com jornadas baseadas em técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental.
A atividade foi moderada pela psicóloga Anna Beatriz Gualandi, assistente de pesquisa do projeto, que também palestrou, e contou com apresentações da pesquisadora Alice Xavier e da também psicóloga Beatriz Atti. As três compartilharam com o público aprendizados sobre o desenvolvimento do projeto, tratando dos desafios e oportunidades e de evidências emergentes das intervenções digitais em terapia comportamental dialética.
O CONEMO ganhou espaço, ainda, em uma entrevista exclusiva concedida à comunicação do evento, na qual a psiquiatra Alice comentou sobre a relevância do projeto.

Anna Beatriz Gualandi, Alice Xavier, Beatriz Atti e o Professor Paulo desenvolvem o projeto CONEMO (Foto: Arquivo pessoal)
Terceiro e quarto dias
Entre sexta e sábado – últimos dias do congresso – voltaram novamente ao evento os gestores do CISM Rohde, Paulo e Jair Mari, e os psiquiatras Hoxter, Polanczyk e Pan.
Na sexta, o primeiro participou de mais um simpósio, desta vez sobre o uso dos não estimulantes no tratamento do TDAH e, ainda, palestrou sobre os desafios no cuidado dos transtornos do neurodesenvolvimento. Já o segundo ministrou em uma atividade especial sobre tecnologia, pesquisa e inovação, abordando a Inteligência Artificial como parceira para cuidados efetivos em saúde mental. E Jair Mari, por sua vez, participou de uma mesa sobre sono, suicídio, violência, cultura e sociedade e, ainda, ministrou o simpósio “Viciados em ofender, criticar e provocar: qual o custo mental de sermos nossa pior versão?”.
No penúltimo dia, Hoexter esteve presente em um simpósio sobre a saúde mental e alta performance de atletas e palestrou em um painel que revisitou sistemas cerebrais e mudanças na anatomia e fisiologia do cérebro nos transtornos mentais. No sábado, encerrou sua participação respondendo a perguntas sobre obsessões e compulsões.
Já Polanczyk contribuiu com duas palestras na quinta: uma relacionada à identificação de perfis clínicos e neurobiológicos em TDAH e outros transtornos e a segunda sobre as “pressões cruzadas” entre ciência, mercado, escola e família nas crianças.
Por fim, na sexta, Pedro Pan discutiu, ao lado de Jair Mari, os impactos da vida digital sobre a saúde mental e, em outra mesa, debateu desafios clínicos presentes e futuros em relação a intervenções psicológicas na era da Inteligência Artificial.
Já no sábado, Jair Mari encerrou sua participação no congresso como um dos palestrantes do painel “Cérebro, Sociedade, Neurociência, Cultura e Arte”.

O psiquiatra e professor Guilherme Polanczyk é um dos presidentes do congresso (Foto: Arquivo pessoal)
Curso sobre autismo
O último dia do Congresso Brain ofereceu um curso sobre autismo, contando com a participação de Polanczyk e da pesquisadora Joana Portolese, recém-integrada ao CISM, onde atuará em um novo núcleo de pesquisa voltado à saúde mental de crianças e jovens.
No curso, ambos abordaram temas como autismo em mulheres e meninas; alunos autistas; atenção integrada do sistema de saúde; rastreamento e orientações na Atenção Primária; o cuidado clínico baseado em evidências; avanços no diagnóstico; e tratamento.
Pôsteres e premiações
Além dos pesquisadores, alunos do CISM também tiveram a oportunidade de apresentar estudos e projetos no Congresso Brain – seis foram premiados – saiba mais.
O evento
O “Congress on Brain – Behavior and Emotions” é um evento científico de referência voltado a profissionais que buscam integrar os avanços mais recentes da pesquisa das neurociências à prática clínica, promovendo atualização e excelência.
O evento reúne, anualmente, um público de mais de 5 mil pessoas e conecta as mais recentes descobertas da área a uma abordagem multidisciplinar, com foco no tratamento de doenças mentais e neurológicas. Atrai um público diversificado, desde participantes que visam aprimorar a prática clínica até interessados em projeção acadêmica.
9 de junho 2026
Institucional CISM


