A pesquisa científica, realizada com 520 pessoas, foi conduzida pelo Global OCD Consortium e conta com a autoria de dois pesquisadores do CISM
Um estudo, recém-publicado no periódico European Neuropsychopharmacology, investigou as diferenças cerebrais em adultos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) não medicados. A pesquisa, conduzida pelo Global OCD Consortium, revelou associações entre os perfis clínicos e a volumetria de regiões cerebrais. Entre os autores estão o Professor Euripedes Constantino Miguel e Marcelo Q. Hoexter, coordenador e pesquisador do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), respectivamente.
A pesquisa, que é a maior já feita com pacientes com TOC não medicados, envolveu 520 participantes, sendo 266 com TOC, que tiveram as diferenças estruturais do cérebro comparadas aos outros 254 sem o transtorno. As análises de espessura cortical, área de superfície e volumes cerebrais foram feitas a partir de exames de ressonância magnética.
“O nosso objetivo foi determinar se existem padrões específicos na estrutura do cérebro associadas aos perfis clínicos do TOC, duração da doença, comorbidades e histórico de medicação”, explica Roseli Shavitt, uma das pesquisadoras principais.
Os três psiquiatras brasileiros – Shavitt, Euripedes e Hoexter – são grandes referências em pesquisas relacionadas ao TOC e integram o Programa Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (PROTOC), ligado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Os resultados
Após as análises, os pesquisadores perceberam que não há diferenças significativas nas medidas avaliadas entre o grupo de participantes com TOC e sem. “A ausência de diferenças entre casos e controles [participantes com e sem TOC] destaca a importância de estudar grandes amostras não medicadas com caracterização clínica detalhada antes de concluir que achados cerebrais estão relacionados ao transtorno”, destaca Shavitt.
Já em relação aos perfis clínicos apenas dos pacientes que possuem o Transtorno Obsessivo-Compulsivo foi possível encontrar associações com a volumetria cerebral.
No caso da gravidade do transtorno, por exemplo, foi observada uma menor área de superfície (medida de extensão) nas regiões do córtex orbitofrontal e ínsula. Já em relação aos pacientes que possuíam obsessões relacionadas a dano ou agressão, foi notado um menor tamanho do córtex orbitofrontal. E, na situação de indivíduos com obsessões sobre sexo ou religião, os pesquisadores identificaram um maior volume do hipocampo.
Por fim, pacientes com TOC e depressão, apresentaram menor superfície nos córtices parietal inferior e temporal médio, em comparação com aqueles sem comorbidade. No que diz respeito às outras características avaliadas – duração da doença, idade de início e histórico de medicação -, não foram notadas associações com a volumetria cerebral.
Segundo explica Shavitt, os resultados do estudo reforçam que não existem padrões de diferenças no cérebro para as pessoas que têm TOC, mas variações entre os pacientes.
O Global Study também examinou a conectividade estrutural e funcional dos participantes com TOC e controles saudáveis. A pesquisadora ressalta que o conjunto dos resultados nas várias modalidades será importante para a melhor compreensão dos resultados de cada modalidade individual.
O TOC
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que afeta de 1% a 3% da população, é uma ansiedade crônica e provoca pensamentos e rituais repetitivos que a pessoa acometida não consegue controlar. Os pensamentos se repetem e persistem, gerando sensação de medo e de desconforto muito grande, que a obrigam a repetir determinados rituais para aliviar a ansiedade. Apesar de não ter cura, há tratamento baseado em medicação e terapia.
O artigo
Gostou do estudo do Global OCD Consortium? Quer saber mais sobre as descobertas? Acesse AQUI o artigo completo no European Neuropsychopharmacology.
30 de junho 2026
Institucional CISM


